sábado, 4 de agosto de 2007
Dança.....
Por que você não conhece essa coisa nova....
Queima....
Por que você não sabe controlar,
Mas é tão bom.
Seus pés estão sobre as brasas.....quente, vermelho....explode carmim
Gira....
Por que é como sua cabeça se encontra....em roda
Até que seus dedos não se canse....não pare de tocar
É isso que te mantem viva.
Fervilha....
Assim como tudo em vc.....
Rodopia tanto....onde vai parar?! Não se sabe.
Quem sabe um dia abra os olhos.
Ondula os dedos das mãos.....chama....vem.....pode vir, sem medo.
Medo?!
Sentimento tido por um....e por outro desprendido.
Corre....Vento.....Tanto faz....quem há de chegar primeiro!?
Treme...
Por que sabe que não vai tão longe. Só longe o qdo for possível imaginar...
Presenciar?! talvez....quem sabe...qto podemos lutar?!
quinta-feira, 19 de julho de 2007
O frio percorre pelas ruas
Pelo meu corpo, quente...se arrepia
De leve o calafrio sobe pela espinha como uma flecha solta no ar
Posso ouvir seus passos.
O aço da espada
O ufar dos guerreiros cansados
Quem os entende? Nem sabem o que estão fazendo...
As cordas da cítara
O gosto do damasco
Envena a carne
Azeda e amarga a alma rude
Volta a face sobre os seus
Quem será capaz de libertar
Esse exército, maltrapilhos
Não entendem por que estam aqui
Nem nós entendemos por que
O vento corre pelo meu rosto
Volto a mim
O que faço aqui?!
Potinho de Ferro
Chega o homem em casa do supermercado, com os dois braços peludos e musculosos cheios de sacolas. Trazia nelas a lista que fizera na tarde de ontem, logo depois de varrer o chão da cozinha e notar a falta de frutas na cesta que repousa diariamente no centro do cômodo. Ela, a mulher da casa, assistia à seleção masculina de vôlei na televisão e pensava consigo, com uma latinha de cerveja na mão e apoiada sobre a barriga moldada na forma de uma esfirra aberta, que seu namorado bem que poderia ter um belo par de coxas como as daqueles jogadores.
Ele era um homem com qualidades difíceis de encontrar hoje em dia: lavava a louça, limpava a casa, cuidava do cachorro, fazia a comida, arrumava a cama, lustrava os móveis, não deixava respingos e dava descarga. Ela, a pessoa que sustentava a casa financeiramente, era ciumenta, vivia no bar após o trabalho, flatulava à noite na cama, roncava como uma porca e passava, às vezes, dois dias sem tomar banho. Isso frequentemente o incomodava, mesmo porque ambos, o odor e a trovoada, podiam ser percebidos à distância.
Logo após colocar as compras na cozinha, o homem sobe para seu quarto. Despe-se da camiseta laranja, da calça comprada no brechó a preço de banana, e do par de tênis de cadarços pisados e rasgados. Lero-lereia (como a bruxa da Branca de Neve) com o espelho sobre si mesmo e suas milhares de paixões espalhadas pela cidade (cada uma com uma qualidade e um número de telefone diferente) enquanto se prepara para um banho gelado.
Ela, a mulher, repara e avalia atentamente os jogadores da seleção. Anota tudo num caderninho que tem especialmente para esse fim. Tenta chegar a uma conclusão, porém fica cada vez mais difícil entre uma dose e outra. Foi-se a dúzia de latinhas. Foi-se a quinta dose de uísque. Foi-se o segundo maço de cigarros. Foi-se o amor pelo namorado.
Quando o banheiro está coberto de fumaça e o ambiente já está quente o suficiente, ele liga o rádio no volume máximo para ouvir sua música preferida (que, coincidentemente, é a música que ela mais detesta), que ele só ouve quando está sozinho
De repente, a música que ela mais detesta na vida começa a tocar e a desconcentra dos pensamentos livres de pudor que tinha com o número 6 da seleção. “Ah, desgraçado! Só pode ser você de novo com essa música infernal!”. E bufando sobe as escadas, seus passos podiam ser sentidos de longe para alguém que tivesse o mínimo de sensibilidade táctil. Chega em frente à porta do banheiro e a esmurra:
— Desgraçado! Desliga essa porcaria de rádio!
E um silêncio irritante e barulhento permanece do lado de dentro do banheiro. Tenta novamente:
— Caramba, vamos desligar isso aí? O que cê tá ouvindo não é música, cara! Desliga essa porcaria de Backstreet Boys!
Eis que ele surge de supetão:
— O quê? Quando é o churrasco no Luis? Desculpe-me pela música, não vi que estava em casa.
— Que desculpa esfarrapada. Larga a mão de ser mané, meu filho. Você sabe muito bem que quando tem jogo da seleção eu fico com o caderninho na mão, poxa.
— Olha... pode parar com isso, hein? Tá pensando o quê? Eu te conheço na “tpm”, bem. Não tem porque te provocar, querida. Relaxa, vai. Toma mais uma dose de uísque e vai lá ver seu jogo, que deve estar quase acabando.
— Puta que pariu! Quase me esqueci do jogo...
— Então corre, corre, senão eu conto pro seu namorado desse caderninho, hein? Ele não vai gostar nada disso.
— Se você contar, já era. Vai ter que arrumar um outro lugar pra morar, bicha desgraçada.
E desceu para a televisão com a cara fechada e seus tropeços pela escada.
Ela e ele: a formiga e a cigarra. Ele entrou no quarto, abriu sua gaveta, pegou um potinho de ferro, sacou a tampa e contou seus trezentos reais guardados para a noitada de drogas e álcool desta mesma noite. Sorriu, guardou tudo como havia encontrado, vestiu-se decentemente e desceu para seu tradicional chá de concentração das sete.